Se os hologramas de Tupac e Michael Jackson causam arrepios ou nostalgia, é inegável o quão impressionante a tecnologia pode ser. Mas, como exatamente funcionam? E são mesmo hologramas ou apenas projeções?
Nem todos os “hologramas” em palco são revivals póstumos. A tecnologia tem sido usada para transmitir performances simultâneas de Janelle Monae e MIA, para apresentar os avatares dos Gorillaz com Madonna, e até mesmo para dar vida a estrelas ficcionais, como Hatsune Miku.
Esclarecendo: Não são hologramas
É importante esclarecer o que é, e o que não é, um holograma. Para simplificar, vamos adotar uma definição básica: hologramas são estruturas de luz tridimensionais e autônomas. Não são projetados sobre uma superfície (o que os tornaria bidimensionais), mas sim difundidos através de vidro, cristais ou qualquer material adequado.
Portanto, a mensagem da Princesa Leia em Star Wars é um holograma. Já o “fantasma” de Michael Jackson não se encaixa nessa definição, pois é projetado sobre uma superfície plana, sendo, na realidade, bidimensional (mas continuaremos a chamá-los de hologramas para simplificar).
Apesar disso, essas apresentações “holográficas” representam um avanço tecnológico, ainda que não sejam uma novidade total. As performances de Tupac, Janelle Monae, MIA e outros baseiam-se num truque de palco do século XIX chamado Fantasma de Pepper, muito comum em feiras, teatros e eventos vitorianos. Este truque pode ser visto na Mansão Assombrada da Disney.
O truque do Fantasma de Pepper usa uma combinação de espelhos e, figurativamente falando, “fumaça”. Um painel de vidro reflexivo é posicionado em palco, inclinado em direção a uma área escondida. Ao iluminar essa área, a imagem é refletida no painel e, de seguida, para a audiência. Ao nível dos olhos, a imagem pareceria distorcida devido à inclinação do vidro. No entanto, do ponto de vista da audiência, a imagem aparece “correta”, com um aspecto translúcido.
O truque do Fantasma de Pepper requer um ator. Como Michael Jackson faleceu, a tecnologia foi adaptada.
Projeções Musion Eyeliner
Musion Eyeliner é o nome de uma versão patenteada e moderna do truque do Fantasma de Pepper, sendo, de certa forma, ainda mais simples. Em vez de salas secretas, atores e vidro, o Musion Eyeliner usa um projetor e uma fina película de mylar.

A película de mylar é colocada a 45 graus em relação ao palco. Um projetor envia a imagem para a película.
É basicamente isso. No entanto, é preciso haver um vídeo de origem para a projeção. Idealmente, o vídeo é estático, criando a ilusão de que o artista está em palco. Isso pode ser conseguido gravando uma performance com uma câmera fixa ou criando um modelo 3D elaborado, e depois animando-o para cantar e dançar (os hologramas de Tupac, Jackson e Roy Orbison foram feitos com modelos 3D).
Limitações Técnicas
Para além das questões éticas, o sistema Musion Eyeliner tem algumas limitações e vulnerabilidades:
Problemas de fase: Os hologramas Musion Eyeliner mais complexos usam múltiplos projetores para obter uma imagem mais detalhada. No entanto, estes projetores devem funcionar em perfeita sincronia. Caso contrário, a imagem fica comprometida.
Ondulação da tela: a película de mylar é muito fina e pode ondular com o vento, como se vê no vídeo do holograma de Michael Jackson, onde todo o palco parece “debaixo d’água”.
Ângulo de visão: a aparência “correta” da imagem depende do ângulo de visão da audiência. De lado, as projeções podem parecer planas.
Iluminação: as projeções Musion Eyeliner funcionam melhor em ambientes escuros. No entanto, as imagens podem parecer excessivamente brilhantes e planas, especialmente quando comparadas com pessoas reais em palco, como demonstrado na apresentação de Tupac.
Custo: A montagem de um holograma Musion Eyeliner não é dispendiosa, mas a recriação de pessoas famosas em 3D é bastante cara (o modelo 3D de Tupac custou cerca de 400 mil dólares). É difícil recuperar este tipo de investimento.
As limitações técnicas do Musion Eyeliner revelam que a tecnologia ainda está numa fase inicial de desenvolvimento. O facto de o vento poder afetar as projeções demonstra o quão recente é esta tecnologia.
O Futuro dos Hologramas

Atualmente, muitas empresas de tecnologia estão a investir em realidade aumentada. De filtros do Instagram a músicos mortos, a tecnologia está cada vez mais próxima de criar hologramas 3D genuínos.
Ainda não se sabe quando os hologramas genuínos se tornarão comuns, mas podem ser uma realidade no entretenimento nas próximas décadas. Já existe um mercado para concertos de hologramas, e a BBC está a desenvolver televisores com hologramas (que são, na essência, versões 3D em pequena escala do truque do Fantasma de Pepper).
Por enquanto, resta esperar que a tecnologia amadureça. Até lá, teremos que nos contentar com shows póstumos de figuras famosas e Hatsune Miku.
Fontes: Christie Digital