CEO Rivian: EVs chineses lideram em tecnologia, não só preço baixo.

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By luis

Embora a rápida ascensão dos veículos elétricos (VEs) chineses frequentemente destaque seus preços agressivos, o CEO da Rivian, RJ Scaringe, defende uma visão mais matizada. Ele argumenta que o foco da indústria deve mudar do mero custo para as sofisticadas especificações técnicas que definem muitos VEs chineses, um paradigma que exige inovação intensificada das montadoras ocidentais.

Mesmo sem operar na China, a Rivian monitora de perto seus concorrentes para manter a liderança tecnológica. Scaringe enfatiza que os VEs chineses frequentemente exibem capacidades técnicas avançadas, muitas vezes superando muitos fabricantes ocidentais, com a Rivian e a Tesla como exceções notáveis. Essa vantagem tecnológica, e não apenas o baixo custo, representa um desafio competitivo significativo e em evolução globalmente.

As montadoras chinesas se beneficiam de uma vantagem de custo profundamente enraizada, que Scaringe atribui não a uma ‘mágica secreta’ no design, mas a uma poderosa sinergia de desenvolvimento subsidiado, custos de mão de obra mais baixos em toda a cadeia de suprimentos e acesso vantajoso a capital. Essa vantagem estrutural cria barreiras formidáveis para a concorrência direta de preços. Em resposta, os EUA implementaram medidas protecionistas, incluindo a tarifa de 100% da administração Biden sobre VEs fabricados na China. O Presidente Donald Trump também tem usado consistentemente ameaças de tarifas para incentivar a fabricação doméstica.

No entanto, Scaringe adverte que o protecionismo por si só é uma estratégia incompleta, dadas as interdependências globais de fabricação. A dependência crítica de minerais de terras raras e outros componentes, escassos nos EUA, exige uma abordagem integrada. Ao contrário da era dos combustíveis fósseis, os EUA carecem de vantagens geológicas comparáveis para tecnologias futuras, tornando o comércio internacional — frequentemente com parceiros não tradicionais — indispensável.

Essa dependência é claramente ilustrada pelo níquel, crucial para as baterias de VEs, onde a oferta doméstica dos EUA é insuficiente; a Indonésia, por exemplo, é o maior produtor mundial. Tais realidades sublinham o imperativo de relações comerciais estratégicas. Scaringe indica que a administração Trump compreende as complexidades que as empresas enfrentam para garantir esses recursos críticos, reconhecendo a importância estratégica das cadeias de suprimentos globais para o futuro da indústria de VEs.